Recordarmos a realização do Salão de 31, através de uma exposição e de discussões acadêmicas com o título geral “Salão de 31: diferenças em processo”, nos remete a um importante momento da história da arte brasileira.
Ocorrido há 75 anos – neste prédio – o Salão de 31, organizado pelo arquiteto Lucio Costa foi um momento significativo para redefinição de parâmetros e diretrizes didáticas na Escola Nacional de Belas Artes, como também para a arte no Brasil.
O Salão de 31 ou Salão Revolucionário, também chamado por muitos como o Salão dos Tenentes, teve adesão de artistas como Guignard, Anita Malfatti, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Flavio de Carvalho, John Graz, Tarsila do Amaral, entre outros. Em contraponto e concorrendo para garantir a qualidade e permanência de um ensino tradicional, até então em vigor, os denominados artistas acadêmicos se negaram a participar da mostra como sinal de protesto.
O Museu Nacional de Belas Artes dando continuidade ao seu papel de formador de opinião, une – se à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas comemorações e reflexões sobre este importante período da vida cultural brasileira.

Mônica F. Braunschweiger Xexéo

Diretora do Museu Nacional de Belas Artes
 
O seminário e a exposição 1931: diferenças em processo, promovidos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo através do Núcleo de Pesquisa e Documentação e programas de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o apoio do Museu Nacional de Belas Artes e da Funarte, têm o objetivo de discutir a modernidade com o pretexto de celebrar os 75 anos de realização do Salão de 31. Chamado, pela imprensa, de Salão dos Tenentes – em referência à Revolução de 30 –, e por Cândido Portinari de Salão Lucio Costa – arquiteto que então o organizou, pois era diretor da antiga Escola Nacional de Belas Artes –, o Salão de 31 foi tema de exposições realizadas no MNBA em 1984 e 1998. Neste ano de 2006, a FAU/UFRJ procura, mais uma vez, rememorar o Salão de 31 na condição de marco do Movimento Moderno das artes visuais e, também, do ensino de arquitetura no Brasil.
Além disso, o evento quer também lembrar alguns acontecimentos que ajudaram a constituir o Movimento Moderno da arquitetura e da relação desta com as artes, quais sejam: os 85 anos de fundação do Instituto de Arquitetos do Brasil; os 55 anos da lei que instituiu o Salão de Arte Moderna; os 50 anos do projeto do plano piloto de Brasília, e os 70 anos do projeto arquitetônico do antigo Ministério de Educação e Saúde (atual palácio Gustavo Capanema) e do anteprojeto de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Gustavo Rocha-Peixoto
Arquiteto e diretor da FAU/UFRJ