>> EXPOSIÇÃO
12 de setembro até
26 de novembro de 2006
Sala Clarival do Prado
Valadares
>>
APRESENTAÇÃO
de multimídias sobre arquitetura
e arte moderna
Segunda
a sexta às 12:30 h
Auditório do Cine-teatro
Belas Artes, MNBA
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A
idéia fundadora desta exposição surgiu com
o desejo de colocar novamente em relevo as feições
da arte e da arquitetura na década de 1930, quando se desenvolveram
as principais linhas de força do movimento modernista no
país. A abertura da década se dá com o Salão
de 31, que buscou contrastar as produções artística,
arquitetônica, literária e ideológica dos então
antigos em relação aos modernos. Este eixo central
proposto por Lucio Costa – fruto da chamada revolução
fracassada e tentativa de inserir o Modernismo no ensino da arquitetura
no Brasil –, resultou em não se excluir do Salão
de 31 nenhum participante inscrito, deixando, de um lado, os
trabalhos dos acadêmicos e de outro, os da geração
moderna.
Dessa forma, o conceito que vai fundamentar esta re-exposição
das idéias centradas na importância ainda atual do
Salão de 31, é o das diferenças
em constante processo, ou seja, a busca de se demonstrar
que as oposições estabelecidas entre os outros
modernismos dos modernos sugerem a própria revisão,
perene e inclusiva, dos princípios modernistas. Explicita-se,
assim, que a flexibilidade, na condição de qualidade
aberta, é típica das atitudes da primeira geração
dos modernos brasileiros que sempre promoveu o princípio
da função social da cultura pela admissão de
ser a arte um direito de todos. Portanto, os modernos anunciavam,
sem dela ter consciência, a constante releitura das obras
da Academia e a conseqüente inclusão de outras modernidades.
Em outros termos, estamos diante da indagação: o que
é a modernidade no Brasil dos anos 30? Para dar visibilidade
ao problema hoje, o melhor talvez seja privilegiar um meio específico
para a observação de tal processo, ao contrário
de se propor generalidades comparativas. O meio escolhido foi o
desenho, em razão de este tipo de expressão ser um
objeto simultaneamente conceitual e técnico, o que irá
permitir o afastamento das analogias culturais e encontrar um solo
comum sobre o qual as coisas sejam comparáveis. Este pressuposto
se baseou na crítica operada por Mário de Andrade
em conferência no início da década de 1940,
quando o escritor fazia ressalvas ao pouco empenho dos modernistas
na construção de conquistas artísticas tecnicamente
relevantes.
As obras e documentos pertencem às coleções
do NPD da FAU / UFRJ e do MNBA, e, embora não tenham sido
expostas no Salão de 31 e nas mostras que o homenagearam,
demonstram a integração das artes com a arquitetura,
principal característica da produção intelectual
e do espírito da década de 1930.
A escolha das obras e grupamento dos temas – retratos, paisagens,
arquiteturas e figurinos para espetáculos de teatro e música
–, assumem que artistas e arquitetos, sejam acadêmicos
ou modernos, promoveram a renovação institucional
por meio do modernismo expressando, portanto, o momento perfeito
da incorporação das dessemelhanças nacionais
às conquistas técnicas européias.
Cêça Guimaraens, Elizabete Martins Rodrigues e
Gustavo Rocha-Peixoto
curadores.
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